O que você acharia de correr entre muitas trilhas, barro, areia, calor, lama, frio, montanha, rio, pedra, neve, vulcão, subidas e descidas fortes? Se a resposta for “irado!”, então não pense duas vezes, meta os pés nesta prova cheia de desafios, amizades e um visual de tirar o fôlego!

Texto por: Luciano S. Lobo

Atividades em contato com a natureza fazem parte de minha vida e no ano passado, durante o Desafrio Urubici (uma bela corrida em montanha de 52km na serra catarinense), fiquei sabendo que meu amigo e treinador Adonai Armstrong iria participar do El Cruce 2013, com o também amigo Douglas Schimidt.

O Desafrio Urubici foi importante para minha decisão em participar da competição pois havia sido minha primeira prova longa em montanha. Ao final do duro desafio, terminei muito satisfeito e seguro. Aprendi que com a cabeça tranquila e curtindo o visual, é possível completar grandes distâncias em lugares de alto grau de dificuldade e com paisagens fantásticas.

 

O que me chamou a atenção no El Cruce:

  • O El Cruce é uma corrida em montanha de 3 dias com mais de 100km
  • Inicia no Chile e chega na Argentina cruzando os Andes
  • É uma prova que acontece há 12 anos e nunca repete o percurso
  • Cruza lagos de degelo
  • Contorna vulcões
  • Você é responsável por sua hidratação e alimentação durante a corrida
  • Passa por locais totalmente desabitados e por paisagens que ficam encravadas na memória.

E com tudo isso, não tive outra opção, eu tinha que correr!

Parceria

Precisava logo de um parceiro para fazer a inscrição, pois já estavam abertas e costumam esgotar muito rápido. Mas, e agora, quem seria “maluco” o suficiente pra entrar nessa comigo?

Alguns amigos achavam loucura, outros não podiam. Quando estava quase fazendo inscrição na categoria solo, lembrei do marido de uma amiga, que havia conhecido semanas atrás e que corria maratonas, e que havia me parecido um cara legal. Vou ligar para ele, decidi!
“E ai Fábio Blz? Me disse que gosta de correr, estou com ideia de participar de uma prova assim etc…na categoria team, está afim?”
Dez minutos depois ele me liga e fala: “Confirmado brother!”

Numa prova dessas você acaba fazendo novos amigos, Fábio Masselli se tornou um novo amigo e um grande parceiro na prova, assim como tantos outros que conhecemos durante os treinos e competições. E assim ampliamos o leque amizades com uma galera apaixonada por aventura.

Amigos de treinos e corridas

Amigos de treinos e corridas

A preparação

Até o dia da tão esperada largada do El Cruce foram muitos treinamentos: provas de rua, como a maratona de Curitiba e a subida da Graciosa; provas de montanha, como a Naventura e TRC; treinos longos; e alguns mistos com moutain bike, rechearam os meus meses até fevereiro de 2013.
E pensar que eu quase botei tudo isso a perder após sofrer um acidente besta de bike, em dezembro. Mas deu tudo certo e consegui me recuperar a tempo (ufa!).

Preparando para o El Cruce

Preparando para o El Cruce

Então, fica a dica: além de cumprir um bom plano de treinos, cuide-se para não se machucar. Pois, por pouco, toda a minha animação não se transformou em frustração.

Ok, começou!

PRIMEIRO DIA

No dia sete de fevereiro largamos para os quase 32 km, aos pés do vulcão Villarica em Pucón. Primeiro dia difícil de segurar a empolgação e a carga de adrenalina, então “sentamos a bota” com um tráfego grande de participantes em trilhas estreitas e com muitas pedras vulcânicas. Neste dia, o calor bateu forte e uma forte preocupação foi a hidratação.
Viajamos com a companhia do Villarica pelas trilhas de pedra e areia, terminando em meio a mata, ao lado de um rio.

Largada do El Cruce

Largada do El Cruce

Cruzamos a linha de chegada e nos mandamos pro acampamento do primeiro dia, em um lugar abençoado, ao lado do lago Pellaifa, de água transparente e refrescante. Desfrutamos do belo churrasco argentino e ótimas frutas oferecidas pela organização.
Descansamos e acordamos prontos para o segundo dia de desafios.

 

Vista do Acampamento no El Cruce

Vista do Acampamento no El Cruce

SEGUNDO DIA

Um dia longo e pesado. Foram 42 km com subidas intermináveis ao longo de cenários impressionantes. Paisagens quase que lunares, cercados por montanhas nevadas e acompanhado de forte calor. Terminamos o dia bem cansados após transpor descidas fortes que exigiram muito do meu “breque”.

Correndo El Cruce com bela vista de vulcões

Correndo El Cruce com bela vista de vulcões

Curtimos o visual e fizemos a gestão do cansaço para terminar com satisfação total. Mais um acampamento para recarregar as baterias, um banho no gelado rio Trancura, “encher a barriga” e descansar para o último dia.

Acampamento no El Cruce

Acampamento no El Cruce

TERCEIRO DIA

Acordamos cedo, nos alimentamos no belo café da manhã da organização e fomos embora para a empolgante largada do último dia.
O dia estava mais fresco e tínhamos uma distância de 28Km para completar. Eu estava um bocado cansado do dia anterior e tive de buscar um jeito diferente de caminhar e correr para desviar a atenção da dor causada pelas fortes descidas do dia anterior. Focamos na chegada, demos “oi” para o imponente vulcão Lanin e fomos carimbar nossos passaportes para cruzar para o lado Argentino.

Luciano Lobo no El Cruce

Luciano no El Cruce

Neste ponto foi só alegria! Estávamos completando os 101 km e cruzando a linha de chegada. Recebemos nossas medalhas e mais ainda: fomos presenteados com um grande desafio cumprido cheio de aprendizados, amigos e contato espetacular com a natureza.

Chegada do El Cruce

Chegada do El Cruce

Resumindo

A prova é um grande case de marketing, mais do que uma corrida de aventura o El Cruce é uma marca forte. Apesar de toda dificuldade logística, é surpreendente a preocupação da organização em deixar os 2500 participantes envolvidos na experiência de fazer parte desta grande aventura. Grandes patrocinadores, bela organização, ótima comida, roupas de qualidade, vídeos ao final do dia, muitas fotos e helicópteros voando ao seu lado, são alguns elementos que fazem você valorizar todo o seu investimento.

Organização Impecável do El Cruce

Organização Impecável do El Cruce

O ponto negativo vai para a falta de preocupação de alguns atletas com seu lixo. É triste ver alguns resíduos em meio às trilhas. Acredito que em uma prova deste tamanho a organização faça uma varredura ao final para deixar a beleza local como estava antes dos 2500 atletas passarem por ali. Sou grato por ter vivido esta grande oportunidade.

El Cruce é Animal! É muito Crux !

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