Saltar de parapente sempre esteve nos planos, mas parecia uma meta bastante distante. Isso mudou no dia que, lendo sobre o Iquique, eu descobri a possibilidade de saltar, indo do deserto ao mar em alguns minutos. Estava decidida: era lá que eu ia voar!

Quando eu decidi largar meu emprego para ir passar um mês viajando por todo o Chile de norte a sul, não era para ser apenas uma viagem de passeio. A ideia era fazer da viagem uma oportunidade, não apenas para conhecer novos lugares, pessoas, culturas, mas também de viver novas experiências!

O roteiro era livre de reservas datas e lugares. Mas eu tracei alguns objetivos e determinei lugares que queria ir e experiências que eu queria viver. Nessa listinha estava:
– Saltar de parapente, em Iquique e sobrevoar a maior duna do Chile!
Eu nunca tinha saltado de Parapente antes. Mas decidi que esse seria o momento e o local para ter, pela primeira vez, a sensação de voar com os pássaros.

Cheguei na cidade em um domingo e como era de se esperar, estava tudo fechado. No centro histórico a cidade parecia abandonada. Mas era um lindo dia de sol, em uma linda cidade e eu tinha um objetivo! A primeira coisa que fiz foi ir em busca de quem fizesse esse tipo de salto. Eu tinha alguns endereços anotados, mas estava tudo fechado, exceto um lugar! Entrei e sem receios já deixei tudo acertado para o dia seguinte! Seria uma excitante segunda feira em que eu iria voar pela primeira vez!

Centro Histórico de Iquique

Centro Histórico de Iquique

Iquique, no norte do Chile, é um dos melhores locais para prática de parapente no país. Por suas boas condições de voo durante todo o ano, a cidade recebe, não só turistas em busca de aventuras, mas também atletas profissionais que participam de eventos, campeonatos ou apenas se deliciam sobrevoando pela bela paisagem do encontro de uma região desértica com o mar.

No dia seguinte, no horário marcado o piloto passou para me pegar no hostel. Ele tinha uma caminhonete enorme, cheia de apetrechos e equipamentos. Perguntei se iria mais alguém e ele disse que não, eramos só nós mesmos. Em seguida pegamos a estrada que passa ao lado da Duna Cerro Dragón, que é considerada a maior duna do Chile, com cerca de 350m de altura, e depois serpenteamos pela estrada que subia rumo ao platô de onde saltaríamos, com mais de 500m de altitude.

Lá em cima, eu apenas aguardava enquanto o instrutor que voaria comigo fazia todos os preparativos relativos ao parapente. Coloquei o macacão que ele me indicou e isso acabou gerando risos dele e de todos que estavam ao redor se preparando para voar. O motivo era simples: o macacão era enorme e sobrava tecido para todos os lados. Eu estava ridícula!  Ele ria e comentava que não tinha nenhum modelo menor, teria que ser daquele jeito mesmo.

Preparativos pré-voo

Preparativos pré-voo

Quando o vento estava “no ponto” coloquei meu capacete sentei na “cadeirinha” e apenas fiz o que ele mandou. Demos uma corrida até próximo da borda e, quando eu menos imaginava, meus pés já não estavam mais no chão! Eu estava voando!

A sensação de voar é algo difícil de ser descrita. Eu me sentia, simplesmente, como um pássaro. O vento (e o piloto) nos guiavam, leves, pelo ar. Havia uma paz e uma tranquilidade que eu nunca havia experimentado.

voo-de-parapente-em-iquique-07

Simplesmente voando…

Lá embaixo, eu via as casinhas e os carros que subiam o cerro pela mesma estrada que tínhamos passado. Se olhava para frente, avistava a praia e o oceano infinito. Quando virávamos para trás, avistava o árido platô de onde tínhamos saltando – agora eu via como ele era coberto de casinhas humildes. Mas, uma das coisas mais fascinantes, era olhar ao redor e ver outros parapentes e outras pessoas que, assim como nós, estavam vivendo a sensação de serem pássaros por alguns minutos. E havia também pássaros de verdade! Ainda que distantes eles estavam lá, voando em uma altura semelhante à nossa. A prova de que aquilo era muito real.

Voando, lá embaixo a estrada, os carros, a duna e a cidade ao fundo.

Voando, lá embaixo a estrada, os carros, a duna e a cidade ao fundo.

Eu estava tão abstraída naquela sensação que pouco me lembrei de fazer fotos. O piloto ía fazendo as manobras e às vezes me mostrava coisas lá em baixo. Sobrevoamos toda a duna Cerro Dragón onde, segundo a lenda, sob as areias se encontra um dragão adormecido. Quando começamos a nos aproximar da duna, olhando ela de cima, entendi o porque da lenda: sua crista realmente parecia com o formato de um dragão. Era muita, muita, muita areia. Eu nunca tinha visto uma duna tão alta (ainda que olhando de cima minha percepção de altura estivesse prejudicada). Voamos relativamente perto dela e depois cruzamos a zona urbana rumo à praia.

O voo demorou cerca de 30 minutos e, quando estávamos nos aproximando da praia para fazer o pouso, ele me informou que a decida era “meio radical”. Já próximo do chão, sob a areia fizemos uma espiral e descemos “rodopiando”.
Cheguei no chão tonta mas, sobretudo, feliz!

Experiência inesquecível!

Experiência inesquecível!

Foi uma experiência única que vivi. Certamente terei outros voos, mas esse para sempre será inesquecível.

 Confere abaixo mais algumas fotinhos!

 

About The Author

Porto Alegrense, formada em turismo, amante da natureza e de qualquer aventura que apareça pela frente, desde que não tenha nenhum boi no meio do caminho. Seu objetivo de vida é perambular pelo mundo com uma mochila nas costas, uma máquina na mão e um bloquinho a tiracolo, registrando tudo que vê pela frente para depois compartilhar com outros aventureiros.

Related Posts

2 Responses

  1. Vinicius Barbosa

    Ola luiza,gostei muito do seu post sou piloto de parapente e estou pensando em ir ao chile ano que vem,e quem sabe a iquique vc teria o contato do piloto e informaçoes sobre a cidade e hoteis?Obrigado…

    Responder

Leave a Reply

Your email address will not be published.