Naquelas últimas horas as coisas aconteceram muito depressa. Tinha sido tudo muito corrido, sem que eu tivesse tempo para pensar e refletir. Foi quando me dei conta de que estava dentro de um balão, à 2.000 metros de altura, prestes a mergulhar nos céus daquele lindo sábado e realizar um sonho que há muito eu cultivava.

O coração não parava de bater feito louco, a emoção era muito grande. Fazia mais de dois anos que queria ter essa experiência e depois de várias tentativas frustradas, ia finalmente conseguir! Não pude me conter quando vi o balão totalmente inflado! Mal acabara de colocar o capacete e o Kayo (piloto) nos chama: Vamos! Vamos subir! Eram quase sete horas. Todos dentro do pequeno cesto, subíamos juntos com os primeiros raios da manhã. Talvez eu devesse tentar me conter, mas não conseguia, gritava feito doido vendo o balão subir.

Dentro do balão

Dentro do balão

A adrenalina é muito grande, me sentia quase embriagado por ela. O próximo momento que me recordo após a decolagem é quando estou fora do cesto, me segurando para fora do balão já preparado para o salto. À minha frente está o meu grande amigo e parceiro de saltos, o Samuca, que irá saltar comigo. Nesse momento ouvimos a voz do piloto dizendo: “Galera, podem saltar!“. E é nesse instante que os homens se tornam novamente crianças.
Com um grande sorriso no rosto nos entreolhamos e, com um gesto de braço, sinalizamos que vamos saltar. Instantes depois, estamos submergindo no nada.

Preparando para saltar

Preparando para saltar

Um salto de balão é muito diferente de um salto de avião. Sem contar toda a magia envolvida de estar saindo de um balão, há principalmente dois aspectos distintos. Primeiro, é o vento. No salto de balão não há o vento relativo do deslocamento do avião, ou seja, é muito parecido com um salto de Base jump porque a condição inicial é de velocidade zero.

Fora, dentro, vai!

Fora, dentro, vai!

O segundo aspecto, é o silêncio. Infelizmente não conseguirei descrever essa sensação com todos os detalhes que ela merece. Mas posso dizer que é simplesmente extraordinário você se deixar cair de um lugar onde a paz reina, parece até que estava meditando!!!

O salto foi curto pois estávamos relativamente baixo, à 2.000 metros de altura. O mais engraçado é que, após abrir o paraquedas que a coisa começa a ficar complicada. Pelo balão voar ao sabor do vento, não há área de pouso definida, assim temos que escolher “na raça”. Olhava para um lado, olhava para outro e não encontrava nenhum lugar “ideal”. Faltando aproximadamente 800 metros de altura, disse para mim mesmo: “A decisão tem que ser tomada, e é agora!”.

E agora, onde pouso?

E agora, onde pouso?

Vi um campo não tão verde (campos muito verde são sinônimo de mato alto) com um morro. “É ali mesmo!”, decidi. E assim pilotei meu paraquedas e pousei com segurança. Segundos depois pousa o Samuca, alguns metros à minha frente. Todos em segurança, nos reunimos e nos demos conta de que não fazíamos a menor ideia de onde estávamos! Ríamos de nós mesmos, mesmo sabendo que iríamos enfrentar um grande “perrengue” pela frente.

Euforia ao extremo.

Euforia ao extremo.

Mas nada mais importava, tínhamos acabado de fazer um dos saltos mais legais de nossas vidas e realizado um antigo sonho. Estávamos eufóricos e muito felizes.

Perdidos mas felizes!

Perdidos, mas felizes!

Obs.: Uma hora depois o resgate nos encontrou!

Vídeo

Pra você ter uma pequena ideia do que é um salto de balão:
 

About The Author

Mineiro radicado na cidade sorriso que, para quem não conhece, é Curitiba. Com 29 anos de idade, é formado em Engenharia Elétrica pela UFPR. Amante de tudo que envolve a natureza. Seus hobbies são: Paraquedismo, Montanhismo, Corrida, Ciclismo, Escalada (atualmente somente indoor) e principalmente viagens.

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