A primeira pergunta que fizemos quando vimos o piloto de wingsuit Alexander Polli passar voando (literalmente) através de um buraco em uma montanha, de nem dez metros quadrados de área, foi:
Até onde isso vai chegar? O quão próximo o homem está de realmente voar?

Alexander Polli e a visao da Piedra Forada

Alexander Polli e a visao da Piedra Forada

Pois o wingsuit é de fato o mais próximo de voar como um pássaro que o homem já conseguiu chegar até o momento. Quem assiste aos vídeos recentes desses pioneiros do esporte fica espantado e ao mesmo tempo fascinado. Já é possível, com as roupas especiais chamadas wingsuit, ter uma razão de voo de 1 para 4, ou seja, a cada metro de queda vertical, pode-se deslocar quatro metros na horizontal.

Chegar até esse atual momento do esporte não foi nada fácil. Os primeiros passos do wingsuit foram muito duros e muitas pessoas não sobreviveram para ver essa evolução. Vamos então mostrar os principais avanços até chegar ao Alexander Poli.

Franz Reichelt e o Primeiro Wingsuit

Em 1912 Franz Reichelt, o Alfaiate voador, pulou do primeiro pavimento da Torre Eifel com cerca de 60 metros, com um traje para voar, construído por ele. Na verdade a sua intenção principal era criar um paraquedas que se pudesse vestir e ser usado por pilotos de aviões em caso de emergência. Já havia conduzido vários testes com bonecos e, em 4 de Fevereiro de 1912, ele fez seu primeiro teste com humanos. No caso, ele mesmo. Infelizmente, ele não teve muito êxito e, sim, ele morreu nessa tentativa.

 

Os Pioneiros Homens Pássaros

Eles voavam wingsuits feitas em tecido, madeira e metal. Verdadeiros showmen, faziam apresentações ao público e, para impressionar ainda mais, abriam seus paraquedas o mais baixo possível, o que levou alguns deles a morte. Os mais famosos dessa geração foram Clem Sohn, Harry Ward e Léo Valentin.

Clen Sohn, chamado de “O Batman”, bateu o recorde mundial na época em salto de altura a partir de um avião a 5.600 metros . Apresentava-se em shows aéreos, saltando e voando com suas asas fabricadas em casa com madeira e pano de zepelin. Um dos mais famosos paraquedistas da época. Seu último voo foi um salto a 6.000 metros em uma apresentação num show aéreo em Paris, seu paraquedas falhou.

Clen Sohn e os primeiros passos do wingsuit

Clen Sohn e os primeiros passos do wingsuit

Harry Ward “The Yorkshire Birdman”, era um experiente showjumper britânico. Fez alguns saltos bem sucedidos com seu wingsuit e, diferente da maioria dos birdmen, viveu até os 97 anos.

Harry Ward pioneiro do Wingsuit

Harry Ward pioneiro do Wingsuit

Léo Valentin, tido como o Homem mais ousado do mundo. Francês nascido em 1919, resolveu estudar a aerodinâmica do voo humano. Desenvolveu asas rígidas e teve sucesso em seus voos. Morreu em 1956 quando, na saída do avião, teve contato com a aeronave e perdeu o controle do voo.

Léo Valeintin

Léo Valeintin

 

A Nova Era do Wingsuit

Patrick De Gayardon, pai do wingsuit moderno. Patrick voou como ninguém havia voado antes. A inovação de Patrick foi anexar asas entre seus braços e seu corpo, e entre suas pernas – daí o “tri-wingsuit”. As asas foram preenchidos com ar o que formou um perfil de asa simples, permitindo ele voar como um pássaro. Patrick morreu em 1998 devido a um erro cometido por ele numa alteração no seu equipamento.

 

O primeiro Proximity Fly filmado

Inicialmente o wingsuit era usado somente a partir de aviões e assim os paraquedistas faziam formações e voos com deslocamentos horizontais. Mas, claro que a brincadeira poderia ficar mais legal, e assim surgiu o Proximity Fly. A ideia era fazer um BASE jump e, com o wingsuit, voar o mais próximo possível das rochas das altas montanhas. Um dos primeiros a fazer isso, ou ao menos um dos primeiros a ficar famoso com isso, foi Loic Jean Albert com seu voo em uma montanha nevada.

 

Jokke Sommer e o Dream Lines

Quando Jokke Sommer lançou o vídeo chamado Dream Lines foi como um marco para o wingsuit. Ele mostrou tudo o que poderia ser feito com uma asa e a precisão de seus movimentos era absurda. Cada passagem, cada rocha e árvores davam calafrios em qualquer um que assistisse.

 

Jeb Corliss e a Caverna na China

É claro que os mais doidos pilotos de wingsuit não poderiam ficar para trás. E assim Jeb Corliss entrou em cena com seus voos impressionantes. O mais emblemático foi quando ele atravessou um buraco em uma montanha na China, numa caverna chamada Tianmen.

 

Pousando sem paraquedas

O mesmo Jeb Corliss queria dar mais um passo nessa evolução, ele afirmara que era possível pousar sem paraquedas e para isso precisava construir uma enorme rampa de pouso. O único empecilho era o custo, a rampa custaria milhões de dólares. Foi então que Gary Connery resolveu simplificar tudo e pousou sem paraquedas em caixas de papelão (veja mais detalhes, e outros ângulos dessa façanha, aqui).

 

Alexander Polli e a fenda em Roca Forada

Finalmente, Alexander Polli rompeu todas as barreiras ao atravessar uma fenda de poucos metros de área a mais de 250 km/h. Não há muito o que se explicar a respeito do que ele fez, melhor ver com seus próprios olhos:

 

E o que ainda está por vir?

De acordo com a nossa backpacker Rita Birindeli, o próximo passo a ser dado para a evolução no esporte é o maior controle vertical, fazendo com que os pilotos possam também ter ascensão. Com isso a possibilidades de linha e manobras irá aumentar consideravelmente!

Perguntamos a ela também a respeito de qual é o limite da evolução. A resposta não poderia ser outra:
“A evolução estará limitada somente pela nossa imaginação!”

Alexander Polli

Fontes:
http://www.wingsuit.dk
http://www.mdig.com.br
http://www.flylikebrick.com/wingsuit-history.php
http://www.natgeo.com.br/br/especiais/jetman/historia/

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Mineiro radicado na cidade sorriso que, para quem não conhece, é Curitiba. Com 29 anos de idade, é formado em Engenharia Elétrica pela UFPR. Amante de tudo que envolve a natureza. Seus hobbies são: Paraquedismo, Montanhismo, Corrida, Ciclismo, Escalada (atualmente somente indoor) e principalmente viagens.

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