Às vezes a gente nem imagina quais oportunidades podem surgir no nosso caminho a cada dia. Foi assim que, sem muito (ou nada) de planejamento, o velejador e aventureiro José Antônio Campello teve sua primeira experiência voando de parapente.

Era para ser apenas  uma viagem de trabalho à praia de Torres, no litoral norte do Rio Grande do Sul, mas o dia acabou muito diferente do que se poderia prever. Ao visitar o Morro do Farol, nosso aventureiro foi atraído pela intensa movimentação dos parapentes pelo céu da cidade. Enquanto muitos curiosos apenas observavam o movimento dos pilotos, ele se perguntou: “Porque não?”

Não tendo uma reposta negativa para essa pergunta, ele agarrou a oportunidade e resolveu, aos 65 anos de idade, fazer seu primeiro voo de parapente, pelos céus de Torres, a mais bela praia do Rio Grande do Sul.

Ao fundo a Praia da Cal e o Parque da Guarita

Os parapentes, a Praia da Cal e o Parque da Guarita

Acompanhe abaixo o relato de como foi essa experiência:

“Poderia ter ocorrido em qualquer lugar, na serra ou mesmo nos infinitos morros do mundo afora. Mas o destino escolheu o rochedo do farol de Torres para eu viver essa experiência. Foi ali, numa tarde exemplar, com um vento perto de 30km/h e com o melhor instrutor do esporte presente no local, o conhecido Osmar Coragem.

Ainda em terra, de cima do rochedo, contemplava o ambiente ao meu redor. Ao longe, a presença grandiosa do oceano. Aos meus pés, o farol, a pista e as pessoas curiosas observando com as mais variadas expressões: medo, desejo, alegria, gozação.
Movido pelo momento tão propício, venci a inércia. Porque não?

Cortei o cabo da âncora e em seguida lá estava eu sentado na “cadeirinha “, ou melhor, numa cinta. Com duas argolas de engate rápido, um capacete e a máquina fotográfica na mão, disparando para todos os quadrantes. No instante seguinte vi meus pés soltos no ar, já fora do rochedo escarpado e planando sobre as ondas do Atlântico. Não deu nem tempo de sentir o friozinho na barriga, a sensação de segurança se instalou com as primeiras fotos.

E lá vou eu! Pés voando sobre a praia de Torres!

E lá vai ele! Pés voando sobre a praia de Torres!

A primeira passada sobre a pista, devorando as pessoas, foi o show maior. E logo uma pergunta saltou do meu pensamento: o que o homem não faz para voar, livre como um pássaro, sob a ação única do vento? Que genialidade esta invenção!
O parapente (ou paraglider, em inglês) é um instrumento de voo de uma beleza, elegância e precisão tão impressionantes, que tranquilamente passamos para um estado sublime, de autêntica e sustentável leveza do ser no espaço.

Antes de voar, tive a oportunidade de ver nas demonstrações dos pilotos como é possível ficar parado no ar, tal como um beija-flor. Com absoluta precisão, acompanhar o piloto vir lentamente voando e sentar em um banco, na beira do rochedo, sem sequer tocar no chão (!). E, com um leve movimento de mãos, alçar vôo novamente com a maior suavidade como se fosse um pássaro por sua própria natureza.

Foi uma experiência única e encantadora! Um momento de decisão tão repentina como jamais poderia imaginar. Tudo ocorreu em 45 minutos de visita ao farol de Torres, no Rio Grande do Sul.”

A verdade é que passamos dias, anos, meses, planejando uma atividade e acabamos esquecendo que as oportunidades surgem quando menos esperamos. O que era para ser uma simples viagem de trabalho acabou se transformando em uma grande e única experiência. Sem planejamentos, por mera vontade, coragem e senso de oportunidade.

E você, quantas vezes ficou apenas observando, quando tudo que mais queria era experimentar?
O que te prende? O que te impede?

About The Author

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Porto Alegrense, formada em turismo, amante da natureza e de qualquer aventura que apareça pela frente, desde que não tenha nenhum boi no meio do caminho. Seu objetivo de vida é perambular pelo mundo com uma mochila nas costas, uma máquina na mão e um bloquinho a tiracolo, registrando tudo que vê pela frente para depois compartilhar com outros aventureiros.

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3 Responses

  1. José Antônio Torelly Campello

    A descrição do Mundo Crux traduz bem o espírito da coisa quando, sob circunstâncias de segurança e oportunismo do momento, a adrenalina exige ação e nos põe em xeque-mate a coragem para a decisão: Vá em frente!

    Responder
  2. José Antônio Torelly Campello

    A descrição do Mundo Crux traduz bem o espírito da coisa quando, sob circunstâncias de segurança e oportunismo do momento, a adrenalina exige ação e nos põe em xeque-mate a coragem para a decisão: Vá em frente!

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