Seguindo nossa sequencia de três sexta-feiras dedicada ao Mundo Feminino, confira o depoimento de Paloma Oliveira, 28 anos, Desenvolvedora Multimídia que já saltou na Suiça, Grécia, Espanha, México e no Brasil, onde foi  a primeira mulher a saltar no Hotel Nacional – RJ

Por Paloma Oliveira

O que nos leva a caminhar até onde acaba o chão e nos jogar no vazio???

Paloma Oliveira Zakynthos - Grécia

Paloma Oliveira – Grécia

Ou melhor, às vezes as perguntas erradas são feitas e esperamos respostas prontas, mas no jogo complexo da vida, passamos entre a simplicidade e a complexidade e por questões poéticas e sensíveis da vida que não dão conta de serem expressadas em linhas, em vídeos, racionalmente. No fundo, nunca damos conta de explicar o que é ser BASE jumper porque é impossível estar na pele do outro.

De fato é um esporte muito recente e complexo, que exige do praticante uma gama de expertises, soma de diversos saberes.

O salto começa dentro da gente. Em um chamado. No sentir-se pronto, na visualização, na compreensão dos diversos níveis de desafios a serem conquistados para que aconteça o salto.

Paloma Oliveira - Espanha

Paloma Oliveira – Espanha

O salto continua na dobragem, na atenção, no foco e no conhecimento técnico necessário para saber de onde irá saltar para adequar a dobragem a essa situação.

O próximo passo – simultâneo – é conhecer o local do salto: condição do ambiente, da temperatura, do vento, dos obstáculos, da altura, da movimentação, de tudo o que se puder saber sobre o local.

O desafio de chegar em cada local, com 8kg nas costas, faz parte do salto.

Desde pegar um elevador a caminhar por 3 horas em mata fechada, subir uma antena, cada objeto tem sua peculiaridade e cada passo em direção a berlinda exige algo de nós, de dentro de nós. Uma coisa é certa: não dá para subir uma antena de 100m pensando na briga que se teve com o namorado.

Essa presença necessária faz com que a prática do BASE tenha um caráter muito espiritual para mim.

Sinto cada milímetro do meu corpo, minha respiração, meu coração. Forço, através da respiração, baixar minha pulsação cardíaca. Sou eu presente e conectada com o mundo. Me sinto em rede. Naquele momento, sou na rede.

Paloma Oliveira - Hotel Nacional - Rio de Janeiro

Paloma Oliveira – Hotel Nacional – Rio de Janeiro

Paloma Oliveira - Hotel Nacional - RJ (Foto Felipe Hanower)

Paloma Oliveira – Hotel Nacional – RJ (Foto Felipe Hanower)

Meu primeiro prédio foi no México, em Guadalajara, distante dos meus amigos mais próximos. Eu, sozinha na berlinda, em um país estranho, sentia tudo o que havia aprendido durante essa preparação, em cada célula. Senti Ruy meu mentor e grande amigo, dizer sobre posição de corpo, análise de objeto, relaxar, curtir, olhar a paisagem, que é sempre deslumbrante lá de cima. Senti Keds me pedindo para olhar o vento, senti Rafa me dizendo para não colocar as mãos nos tirantes, senti Caco me dizendo para impulsionar melhor com os dedinhos para fora. Senti tudo, na complexidade do tempo-espaço em frações de segundos que em solo passariam despercebidos.

Ano passado tive a oportunidade de ir para Europa, conhecer gente de todo o mundo. Ser BASE jumper é ser uma familia.

Não tenho mais uma visão tão romântica do esporte quanto tinha no início, afinal toda família tem problema, é feita por humanos e suas virtudes e desvirtudes.

BASE é mais que um esporte. É uma forma de vida, é uma forma espiritual de flanar nessa nossa efêmera e mortal existência terrena. É uma escolha, contida de riscos não velados, mas que tende a ser cada vez mais segura, e só tem uma forma de aprimorar o esporte: saltando, ouvindo, dobrando, desistindo de saltos, confiando na intuição, viajando, sendo, e agradecendo.

Por ser nessa família, por encontrar pessoas incríveis no caminho que mudam tudo e fazem com que os problemas se tornem pequenos, que tudo na vida flua melhor. Sinto amor em cada célula. E isso é a única coisa que importa: o quanto de amor dividimos com o mundo.

Enfrentar os caminhos e cada uma das berlindas é ser nesse amor. Porque quando nos vemos em situações limites, assim sabemos quem somos, nos conhecemos mais e valorizamos o que realmente precisa ser valorizado. Acho que se o mundo praticasse BASE jump não haveriam guerras… na berlinda não existe cor, raça, religião nem gênero. See ya!!!

Paloma Oliveira - Pedra da Onça - ES

Paloma Oliveira – Pedra da Onça – ES

 

Salto Gávea Patrícia,  Paloma e Rita

Salto Antena Patrícia , Paloma e Rita

CONFIRA: Matéria do Jornal O GLOBO com a Paloma Oliveira

About The Author

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28 anos, Curitibana de criação, nasceu em São Paulo capital e há três anos mora em Sorocaba, interior. Apaixonada por aventura, pelo BASE Jump e o Paraquedismo. Escalada, Skate, Slack e Highline também fazem sua cabeça, mas acha que o que realmente vale a pena é a descoberta de novos lugares, novas sensações e as boas companhias que essas atividades proporcionam.

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6 Responses

  1. Simone Torres

    Oi Riiiiita.. sauuuudades imensa aventureira!! Em espírito vc é igual a eu.. aventureira. Mas em coragem vc ganha viu uahuhauaha

    Responder

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