Carlos André Massignan “Negoandré” – Instrutor, Treinador BBF (Basic Body Fly), Piloto de Salto Duplo no Clube de Paraquedismo Frango Loco e também BASE Jumper. Ele nos conta como foi sua viagem pela Noruega para saltar de um dos lugares mais cobiçados pelos praticantes do esporte.

Por Negoandré

Em setembro de 2010 fiz minha primeira viagem para conhecer os Big Walls da Europa, acompanhado dos meus grandes parceiros Andrézão, Stanley, Marcelo Elke e o Aracy. Por não ter, na época, muita experiência com o BASE Jump e com o paraquedismo (tinha realizado pouco mais de 250 saltos) senti algumas dificuldades nessa primeira trip, mas não desanimei e nem me dei por satisfeito. Foi então que há cerca de uns 6 meses atrás decidi encarar mais uma viagem para praticar o BASE Jump, desta vez o lugar escolhido foi o famoso Kjerag, na Noruega.

Assim que decidi viajar comuniquei meu amigo Marcos Mocelin, que de primeira topou me acompanhar nessa aventura. Junto conosco também foram o Aracy e o Erick Rocha. Todos com passagem nas mãos, equipamentos prontos, macacões dobrados, mochilas nas costas e uma quantidade significativa de coragem e disposição para praticar esse esporte incrível, que é capaz de promover o contato do homem com a natureza e aproximá-lo de seus limites.

Marcos Mocelin e Negoandré

Foram necessários cerca de dois dias até chegarmos ao nosso destino final: a vila de Lysebotn.  Esse pequeno povoado fica encravado entre os Fiordes Noruegueses (grandes entradas do mar entre altas montanhas rochosas), e foi por eles que navegamos durante 4 horas em uma barca até chegarmos no Stavanger Base Klub, o clube especializado que auxilia os atletas de BASE Jump. Assim que fizemos o cadastro corremos para o Heliboogie, um evento anual que deixa à disposição dois helicópteros para levar a galera até o topo da montanha.

Foram seis meses planejando esse momento e quando menos esperávamos já tínhamos a beirada do precipício sob nossos pés. Minhas mãos estavam frias e minha cabeça cheia de pensamentos desencorajadores, mas deixei todo aquele medo de lado pois finalmente eu estava lá. Sem pensar duas vezes me joguei da montanha na Exit 06. E em poucos segundos senti aquela velha conhecida sensação: eu estava voando! Que experiência fantástica, foi a melhor da minha vida, o meu primeiro salto no Kjerag!

Logo que pousei, já me prontifiquei de dobrar os paraquedas, e repeti isso dàs 3 da tarde às 8 da noite, quando saltei pela quarta e última vez naquele dia. A grande vantagem do nosso primeiro dia de saltos foi o helicóptero, que nos economizou muito tempo e energia. Aliás, essa é uma boa dica pra quem estiver afim de se aventurar por lá: aproveite a época do Heliboogie.

O segundo dia não foi bom para todos, pois não conseguimos subir a montanha devido ao mal tempo, mas meu amigo Erick Rocha teve a oportunidade de fazer um salto às 20 horas (que por lá ainda não é noite) da Smellwegen, com direito a pouso no mar. Isso rendeu ao Erick muita alegria e muito frio, pois é preciso dar “banho” no paraquedas e na wingsuit dentro do rio. Se não fosse o Aracy, acompanhado de um chá e uma sopa bem quente nosso amigo Erick teria congelado!

No terceiro dia pegamos carona com a van do Base Klub, que nos levou em 20 minutos até o início da trilha. Tempo fechado, chuvisco e um vento fraco. Foi assim que começou nossa primeira caminhada, 5 km à pé em uma trilha cansativa até chegar ao Exit Point (nº 05).

Demoramos duas horas para chegar, o vento e a chuva aumentaram durante a subida e a trilha ainda nos reservava alguns trechos com neve, tudo isso dificultou muito nossa caminhada, mas ao me deparar com a visão de uma cachoeira à minha direita e com a Exit nº 06 à esquerda comecei, sob a chuva forte e incessante, a me equipar para aquele salto.

Tudo molhado, corpo, equipamento, pilotinho. E ainda por cima o vento forte. Só nós e os russos para saltarmos naquelas condições. Brifamos o salto (4 way) com nosso amigo Nicolas – um argentino  muito gente boa, e então saltamos. Como todos os saltos anteriores esse foi irado! Pousamos com um vento forte na pequena área de pouso, mas posso dizer que foi o momento mais incrível da minha vida. Conquistar aquela montanha e depois saltar dela é, com certeza, a melhor experiência do mundo.

Fizemos mais 10 saltos, caminhando, horas e horas na trilha. Um salto mais incrível que o outro, descarga de adrenalina, descanso mental e a distância de tudo, isso nos proporcionava reflexões mais profundas e insights brilhantes. Que lugar magnífico. Um paraíso para a prática de esportes de montanha e para o BASE Jump.

E depois de relatar a maior de todas as minhas experiências quero deixar aqui um abraço e admiração ao meu instrutor Andre G. Sementille, que fez o seu último salto na Noruega e hoje está voando bem mais alto. Ele me abriu as portas para esse esporte, me apresentou a Itália, Suíça e Noruega e por isso sou muito grato. Hoje tenho certeza absoluta que quero conquistar mais e mais saltos e picos ao redor do mundo. O contato com a natureza, com os amigos e com um esporte como o BASE Jump abre a mente e refina a nossa percepção para a grandiosidade do nosso planeta e para a magnífica criação de Deus.

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