Correr morro acima, pular por obstáculos, correr no meio do mato, saltar por cima do fogo, correr por estradas de terra, atravessar banhados, correr, correr, correr… Esse foi o Desafio HardCross, realizado dia 21 de abril, em Caxia do Sul, no Rio Grande do Sul.

“Era domingo de manhã, um domingo um pouco diferente dos outros. Acordo com o barulho do ziper de alguma das barracas abrindo. Pela luminosidade já dava para ver que estava clareando. Procuro o celular em algum canto do saco de dormir, são seis horas da manhã. Eu ainda posso dormir mais um pouco, mas o pessoal da organização do evento já está a postos para finalizar os últimos preparativos antes da prova. Foram meses trabalhando para que tudo saísse conforme o planejado. E hoje é o grande dia! Será que todos sobreviverão ao Desafio?

Cruel por Natureza

A proposta do Desafio HardCross é ser uma corrida em trilha com obstáculos surpresa. Os competidores não tomam conhecimento do percurso, nem dos obstáculos que enfrentarão até a hora de encarar o perrengue. Essa prova foi a primeira deste tipo realizada no Brasil, é a única que une corridas e obstáculos, tanto naturais, como artificiais. Ou seja, o que ia de fato acontecer era novidade para todos os presentes.

Expectativa pré-prova

Expectativa pré-prova

Os participantes deveriam chegar ao local do início da prova no domingo às 8h da manhã, para a retirada dos kits, confraternização geral e instruções. A prova se dividia em três categorias diferenciadas pelo tamanho do percurso e número de obstáculos:

Light (leve)

4,5km

10 obstáculos

Adventure (médio)

6km

15 obstáculos

Extreme (difícil)

14km

18 obstáculos

Entre os participantes havia atletas experientes, aventureiros de plantão, corredores profissionais e até mesmo pessoas como eu, que estavam se aventurando pela primeira vez em uma prova desse tipo. Muitas atraídas pela curiosidade de correr e ao mesmo tempo ter que enfrentar desafios desconhecidos. Coisa de quem gosta de romper as barreiras da zona de conforto.

Claro que, entre os competidores, muitos estavam com sérios objetivos de vencer, até porque os prêmios para os primeiros lugares incluíam quantias em dinheiro(!). Mas, antes mesmo de iniciar a prova, era perceptível que para muitos a meta era simplesmente completar o percurso e “sair vivo” do desafio, fazendo da experiência muito mais um desafio pessoal, do que uma competição.

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Momentos pré-prova

Após a retirada dos kits a brincadeira geral era sobre a frase ao final das regras da prova “Obs: permitimos que os competidores levem consigo uma foto da família!”. Além das brincadeiras sobre sair vivo ou morto da prova, não faltavam especulações sobre o que seriam os obstáculos e como seria passar por cada um deles. Descontração, curiosidade e ansiedade pairavam pelo ar antes do início.

A largada estava marcada para as 10 horas, para os competidores da categoria Extreme, e 15 minutos depois para Adventure e Light. Sem um minuto de atraso, no horário marcado, iniciaram as provas! Quem estava mais pela competição já saiu cortando na frente, mas não tão rápido pois, após o primeiro obstáculo, que era subir um barranco utilizando uma rede de cordas, o segundo já era a subida de uma ladeira com 800m de extensão.

Subindo o morro dento do parreiral

Subindo o morro por dentro do parreiral

Essa subida foi para detonar a maioria dos competidores! No início, todos começaram correndo, mas depois de alguns metros a inclinação se mostrou como um dos maiores desafios que iríamos encontrar. Principalmente para quem não estava com o preparo físico muito bom. Ao final da ladeira se encontrava a maior parte dos obstáculos artificiais. Suas características eram bem diferentes de modo que cada pessoa se saía melhor ou pior em cada um de acordo com suas características físicas. Era possível fazer três tentativas para passar em cada obstáculo. Caso não conseguisse, era preciso fazer 20 apoios (flexões) ou aguardar 1 minuto.

Vista geral de alguns obstáculos

Vista geral de alguns obstáculos

Pulando por cima das toras

Pulando por cima das toras

Após essa primeira bateria de obstáculos a maioria dos desafios eram naturais: correr entre trilhas, no meio do mato, descer morro, subir morro, atravessar banhados. O chão enlameado era um constante convite para tombos! Às vezes para não cair, só se agarrando nas árvores mesmo. Nas trilhas mais fechadas os espinhos faziam parte do cenário natural, mas nem incomodavam, já que a recomendação era para o uso de calças compridas. Já nos banhados o gelado da água não era o pior, ali o objetivo era colocar os pés firmes no chão para não levar um tombo e mergulhar no meio do mato!

Caindo no alagadiço barrento

Caindo no alagadiço barrento

Ao longo de toda a prova o clima entre os participantes, até mesmo os mais competitivos era de companheirismo. Afinal, estávamos todos juntos na mesma indiada, cada um enfrentando seus próprios limites. E, mesmo um participante que vinha correndo no sentido oposto ou ainda passando na sua frente, sempre vinha com aquela voz de incentivo “vamos lá, vamos lá!” O mesmo pode-se dizer da equipe de apoio e fotógrafos que estavam em pontos estratégicos e sempre tinha aquela palavra certa pra empurrar você para frente!

A verdade é que cada participante teve suas dificuldades, alguns eram mais fracos, ou menos ágeis, ou grandes demais ou pequenos demais para alguns obstáculos. E não houve quem não tenha tido receio em algum ponto e se perguntado “será que eu consigo?”

Atravessando a falsa baiana (tentando pelo menos)

Atravessando a falsa baiana (tentando pelo menos)

Ao final, talvez nem todos tenham conseguido passar por todos os obstáculos. Eu, por exemplo, acabei tendo que “pagar um minuto” na falsa baiana. E confesso que, quando chegou a hora de pular sobre o fogo o frio na barriga foi intenso. Mas sobrevivi, me sujei, me diverti e fiz uma competição acirrada comigo mesmo. Quando eu acordei sentindo o friozinho da serra gaúcha dentro da barraca, eu sabia que seria um dia diferente, mas não sabia o quanto especial seria essa nova experiência.

O evento encerrou em clima geral de descontração onde uns contavam para os outros suas dificuldades, quais obstáculos conseguiram ou não passar. Estávamos todos cansados, molhados, imundos, mas sãos e salvos! E, principalmente, felizes pela nova experiência vivida!

Cansados, sujos e felizes

Cansados, molhados, sujos e felizes

Que venha o próximo HardCross! Com mais desafios e novos obstáculos!

Confira abaixo a galeria com algumas das fotos do evento.
Para resultados, outras informações e mais fotos acesse: http://desafiohardcross.blogspot.com.br/

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Porto Alegrense, formada em turismo, amante da natureza e de qualquer aventura que apareça pela frente, desde que não tenha nenhum boi no meio do caminho. Seu objetivo de vida é perambular pelo mundo com uma mochila nas costas, uma máquina na mão e um bloquinho a tiracolo, registrando tudo que vê pela frente para depois compartilhar com outros aventureiros.

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