Equilibrar-se sobre uma fita, ancorada pelas pontas, há dezenas de metros do chão: isso é highline.

Imagine você, um escalador, em plena década de 80, acampado no famoso Parque Yosemite (EUA). Aguardando entre uma janela climática e outra, sem muito o que fazer, você olha para uma das cercas de corrente do parque e resolve tentar andar sobre ela. Típica “ideia de jerico“, já diria a sua mãe. Mas você percebe que aquilo ali tem potencial e resolve estender uma de suas fitas tubulares entre duas árvores para praticar melhor. Assim surgiu a slackline (ou linha folgada, traduzindo literalmente). A brincadeira fez sucesso e os escaladores do parque passaram então a utilizá-la como exercício, para trabalhar sua concentração, equilíbrio e, claro, não demorou até que alguns deles resolvessem levar isso ao topo de uma montanha para praticar há dezenas, ou centenas, de metros do chão. À esta nova experiência, deu-se o nome de Highline (ou linha alta).

Highline

O passatempo se popularizou, oficializou-se como esporte e hoje está mais do que difundido por todo o mundo. É preciso uma boa prática prévia sobre a slackline (próximo ao chão) e equipamentos bem específicos, é verdade. Mas, atualmente, é possível encontrar praticantes de highline nos principais picos do país. E uma forte representante do esporte é a cidade do Rio de Janeiro que, com sua geografia altamente favorável, possui um dos mais longos highlines do Brasil: uma travessia de 40m de comprimento, na praia da Joatinga.

Highline Joatinga

Highline na praia da Joatinga (RJ)

Outro pico famoso de highline, no Rio de Janeiro, é também um de seus mais conhecidos cartões postais: a Pedra da Gávea , a 840 metros do chão.
Segurança vs. Adrenalina

O highline é comumente praticado com um alto rigor de segurança. A fita (slackline) precisa ser muito bem tensionada e pelo menos uma corda de escalada é usada por segurança, caso a fita se rompa. No mais, diversos mosquetões e outros equipamentos de escalada são usados para distribuir a força. Com a fita já armada, o praticante deve ainda usar o baudrier (cadeirinha) acompanhado de uma corda presa entre a fita e a cintura, para segurá-lo em caso de queda.

Highline

Porém, há sempre aqueles que não se contentam com o já alto nível de adrenalina e ainda resolvem desafiar a morte (ou seria a vida?) arriscando-se no chamado free solo. Nesta modalidade, não há qualquer tipo de equipamento de segurança entre o atleta e a fita, ou seja, não há uma segunda chance em caso de queda. Entre esses “loucos” estão Dean Potter e Faith Dickey, recordistas masculino e feminino, respectivamente, de free solo highline.

Dean Potter - Free Solo Highline

Dean Potter – Free Solo Highline

Faith Dickey - Free Solo Highline

Faith Dickey – Free Solo Highline

“Há uma boa razão na qual ninguém pode concordar com a definição de highline: é um esporte, uma arte ou um exercício? Talvez seja todos eles, para mim é um estilo de vida. O que começou como uma atividade de verão no parque da minha cidade natal se transformou em uma mudança de vida, o vício que altera a mente.”
– Faith Dickey –

Futuramente ainda vamos tratar melhor da história desses dois grandes atletas, recordistas do highline, e também de suas inovações nesse esporte. Enquanto isso, fique com mais algumas imagens do highline e imagine a sensação de equilibrar-se há centenas de metros do chão, como quem caminha no céu.

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Não se conforma com um dia de apenas 24 horas. Entre faculdade, trabalho e MundoCrux, ainda encontra tempo para remar, correr e pedalar. Já pedalou por 6 países da América do Sul e ainda sonha dar a volta ao mundo de bicicleta.

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6 Responses

  1. Leonardo Arantes

    Tenho 2 anos de prática de Slackline. Tenho interesse em conhecer algum grupo com experiência em Highline, onde eu possa conhecer na prática.

    Responder

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