Há certo instinto dentro do aventureiro que volta e meia faz com que ele tenha vontade de largar tudo e sumir em uma viagem. Da mesma forma que toda escalada tem um ponto CRUX, toda a aventura tem seu clímax, as nossas escolhas também são desafios sempre presentes. Christopher McCandless escolheu sumir e se encontrar.

Autoretrato de Cristopher McCandless no Alaska

Autoretrato de Cristopher McCandless no Alaska

A história de McCandless está no livro Na Natureza Selvagem, de Jon Krakauer. É provável que muitos de vocês já tenham visto o filme, dirigido por Sean Pean e que leva o mesmo nome, mas ler é uma experiência muito mais agregadora. Esse é um daqueles livros que os dedos sempre voltam a virar as páginas e que, ora um parágrafo, ora um capítulo, convida para uma enésima leitura.

Christopher McCandless, que abriu mão de algumas coisas materiais, mudou de nome e sumiu do mapa. Pais, irmã e amigos. Ninguém soube do seu sumiço e para onde teria ido. Criticado, chamado de egoísta, corajoso, autêntico, excêntrico ou ingrato. Alex, como passou a se chamar, foi para o Alaska viver no meio da natureza.

Mas o jornalista e escritor Jon Krakauer, que apurou o caso entre 1992 e 1996, vai muito mais além. O livro é narrado conforme os fatos são descobertos, começando pelo fim, com um grupo de caçadores que encontraram o corpo de McCandless em um ônibus abandonado no Alaska selvagem. E então, começa uma reconstrução de fatos que levam a um mergulho no personagem que torna o livro quase uma biografia.

Polegar do Diabo, no AlaskaSenão bastasse a história por si só e as aventuras de McCandless em busca de suas respostas pessoais. Krakauer recheia o livro com trechos de outros autores que influenciaram McCandless. O repórter também dedica dois capítulos a uma aventura pessoal em que ele foi sozinho escalar o Polegar do Diabo, no Alaska. Tudo isso para tentar, pelo menos, entender algumas das motivações e valores que podem levar qualquer um de nós a determinadas ações. Sem julgar se elas estão certas ou erradas, mas temos o desejo de ir e se aventurar.

Entre os trechos de livros selecionados por Krakauer estão duas frases que me atraem. São de livros diferentes, que se unem como se pertencessem ao mesmo raciocínio. Uma no início do livro, de Jack London, em Caninos Brancos. A segunda, no último capítulo, de Annie Dillard, em Santa Firma.

“Era a imperiosa e incomunicável sabedoria da eternidade rindo da futilidade da vida e do esforço de viver. Não há acontecimentos, mas pensamentos e o bater inflexível do coração, o aprendizado lento do coração de onde amar e a quem.”

Na Natureza Selvagem – Jon Krakauer

CD - Into The Wild - Eddie Vedder
Livro - Na Natureza Selvagem - Jon Krakauer
DVD - Na Natureza Selvagem - Sean Penn

 

Para quem ainda não viu o filme aqui vai um trecho, mas não deixem de ler o livro.

Na Natureza Selvagem – Sean Penn (2007) – trilha sonora de Eddie Vedder.

About The Author

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Um cara apaixonado que gosta de aventuras e de alturas. Escolheu jornalismo para poder perguntar sobre tudo, mesmo que nem sempre escute a resposta que quer. Mas antes de tudo, um aventureiro movido pela curiosidade, sempre à procura da próxima boa história para contar aos netinhos.

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One Response

  1. Luiza Campello

    Grande clássico que qualquer mochileiro de plantão deve conhecer. Se o cara (mochileiro) nunca se identificou com o Supertramp, é pq não é mochileiro de verdade. Heheheh.
    Não sei como até hoje não li o livro… fiquei só no filme e resenhas (logo eu que sempre priorizo os livros, me deixei passar nessa).
    Anyway, antes tarde do que nunca, vou providenciar a leitura!

    Responder

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